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Blockchain – A tecnologia revolucionária

A tecnologia que permitiu a criação deste novo mundo chama-se blockchain!

A blockchain – cadeia de blocos –  muito simplesmente, é uma base de dados armazenados em blocos imutáveis, datados e ligados por meios criptográficos, mantida por uma rede distribuída de computadores.

Talvez não seja assim tão simples. Como prometido, vamos desmistificar!

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É uma base de dados porque permite armazenar qualquer tipo de dados de forma permanente, e pode ser programada para guardar dados valiosos como transacções de moeda – como bitcoin – ou dados pessoais.

A cadeia de blocos apenas permite adicionar blocos à rede e isso confere-lhe a capacidade de ser imutável, pois estão distribuídos por uma rede de computadores.  Numa era digital em que estamos habituados a alterar ou apagar dados sem que se note qualquer diferença, criar algo com a capacidade de armazenar dados que não poderão ser apagados é algo de revolucionário.

Esses dados estão armazenados em blocos que ficam identificados com a data e hora a que foram criados para que exista uma ordem cronológica na base de dados. Isto permite criar uma sequência que pode ser seguida de bloco em bloco. No caso da Bitcoin passarão em média 10 minutos até que seja criado um novo bloco. Em vez de gravar individualmente cada transacção, são gravadas em cada bloco transacções que ocorram no período de tempo desde que foi finalizado o bloco anterior.

São os meios criptográficos que permitem ligar os blocos entre si e conferir segurança ao sistema. Segurança porque os computadores associados à rede têm que descodificar um código para verificar as transacções, confirmando que a conta que quer enviar bitcoin realmente possui essas bitcoin. A descodificação desse código permite também chegar ao bloco imediatamente anterior. Desta forma se consegue ter toda a base de dados interligada. Esta ligação significa que se alguém mal-intencionado quisesse alterar um bloco anterior teria que alterar toda a cadeia. E para o fazer teria que conseguir um poder de computação que conseguisse competir e vencer todos os outros computadores que estão ligados à rede.

A segurança de uma cadeia de blocos está também presente em ter na sua base uma rede de computadores distribuídos por mais do que uma entidade, ou seja, em ter o controlo da base de dados distribuído por vários intervenientes. Também significa que deixamos de ter um sistema de confiança que deixa de estar nas mãos de uma organização e sujeita aos seus valores e é substituído pela confiança na matemática que mantém todo o sistema compassado. A dificuldade da resolução do código é ajustada conforme a quantidade de computadores que estiverem ligados à rede para manter os 10 minutos como padrão.

PoW
Como estão ligados os blocos.

A prova de trabalho é o mecanismo de consenso utilizado na cadeia de blocos da Bitcoin para que todos os computadores intervenientes concordem que as transacções podem ser verificadas e agrupadas em blocos para que sejam encadeados. É esta a ferramenta que permite unir estes 3 conceitos – distribuído, imutável e criptográfico. Especificamente, é com ela que os computadores vão decidir como agrupar as transacções em blocos e como os ligar entre si para criar a cadeia de blocos. Para isso resolve-se um puzzle criptográfico, cuja solução, depois de descoberta é aceite pela rede de computadores. Essa solução, também chamada de hash, é composta por 4 variáveis: o tempo em que o bloco foi criado, as transacções propostas, a identidade do bloco anterior e uma variável chamada nonce que é utilizada para definir a dificuldade em resolver o puzzle. É através da identidade do bloco anterior que se consegue ligar esse bloco ao anterior e esse ao que lhe precedia, criando assim a cadeia. Como esta identidade faz parte da variáveis que definem o bloco qualquer alteração num bloco vai criar um efeito bola de neve que implicaria alterar toda a cadeia – tornando assim a cadeia imutável.

Cada um dos computadores na rede que compete para conseguir adicionar um bloco à cadeia é chamado de minerador – miner – e receberá uma recompensa pela energia gasta de cada vez que o lograr. Na cadeia de blocos da Bitcoin será uma quantidade previamente definida de bitcoins. E essa recompensa é o que torna atractivo para os mineradores manterem a rede a funcionar de forma consistente. É também através deste processo que são libertadas novas bitcoins para o montante de moeda em circulação.

Uma blockchain é um livro de registos contabilístico partilhado por uma rede de computadores que se actualiza periodicamente.

A Bitcoin foi o primeiro caso mas será o primeiro de muitos. Também a internet começou com apenas uma utilização, o correio electrónico, mas hoje dificilmente conseguimos imaginar a nossa vida sem todas as aplicações que usamos na internet.

A capacidade relevante mais imediata que tem a cadeia de blocos é permitir transferências de valores de até milhões de euros pagando taxas zero ou quase nulas, de forma instantânea e sem ter que pedir autorização a algum intermediário. Existem no mundo 6500 milhões de pessoas em todo o mundo que não têm acesso ao sistema financeiro porque os bancos não lhes concedem esse privilégio. Destes, mil milhões de pessoas já têm acesso à internet. Para estas pessoas, a Bitcoin e outras cadeias de bloco, podem ser algo libertador. São alternativas de serviços bancários a que têm acesso neste momento para lhes abrir a porta aos financiamentos que lhes permitam concretizar os seus projectos pessoais.

Um emigrante que queira enviar dinheiro para a sua família no país de origem poderá utilizar a Bitcoin para o fazer. Para isso ser-lhe-á cobrada uma taxa fixa que actualmente ronda os 50 cêntimos de euro, independentemente do valor a transaccionar. Até à invenção da cadeia de blocos teria que utilizar uma empresa especializada que lhe cobraria acima de 10% do valor total. De referir, que estão a ser desenvolvidas melhorias à rede para permitir baixar ainda mais a taxa de transacção.

Como disse anteriormente, a cadeia de blocos é a tecnologia através da qual estão e continuarão a ser desenvolvidas aplicações que mudarão a forma como interagimos em sociedade. 

Neste momento existem mais de 2000 criptomoedas, cada uma com um projecto específico de como utilizar a tecnologia da cadeia de blocos.

Alguns desses novos usos que estão agora a ser desenvolvidos são:

Contractos inteligentes – pedaços de código programados para serem executados quando se verificarem certas condições. Por exemplo: se trabalhar 40 horas semanais, receberei o ordenado que foi estipulado no contracto, eliminando a necessidade de ter alguém a executar estas ordens.

Economia de partilha – plataformas como AirBnB e Uber terão que se actualizar pois numa cadeia de blocos a funcionar num sistema directo de pessoa para pessoa – peer-to-peer – deixa de haver a necessidade de um intermediário a verificar as transacções.

Auditoria de cadeias de valor – a transparência inerente à cadeia de blocos faz com que qualquer um possa verificar os processos que sofreram os produtos que adquiriu. Isto implica que se pode confirmar qualquer reivindicação que as empresas incluem nos seus produtos e, confirmar, por exemplo, que o peixe que comprou é proveniente de pesca sustentável.

São estes e muitos outros exemplos que pretendo ir descobrindo ao longo da evolução deste blog, bem como a forma como afectarão a sociedade.

Venha descobrir este mundo comigo!

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