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Como funcionam? Mastering Bitcoin

Como criar uma carteira Bitcoin?

No último artigo aprendemos quais os tipos de carteira que existem e quais os motivos porque as devemos escolher. Depois de escolhido o tipo de carteira vamos tentar perceber como utilizar de forma segura essa carteira.

Para relembrar: as carteiras bitcoin não são mais do que um par de chaves. Uma chave privada e uma chave pública. Uma chave privada através da qual o utilizador vai assinar as transacções provando que é o legítimo dono daquelas bitcoins. E uma chave pública que deve ser partilhada como endereço para onde se poderão receber bitcoins.

Ao longo deste artigo, vamos seguir passo-a-passo a forma de criação de uma carteira Electrum. Não tenho nenhuma afiliação com esta carteira e este artigo não é uma recomendação para a sua utilização. Deves sempre fazer a tua pesquisa e saber que só tu és o responsável pelas tuas decisões. Segue os passos e faz também a tua carteira para guardar as tuas bitcoins.

Passo 1 – Download da aplicação

Vamos criar uma carteira móvel que instalamos no smartphone, onde a forma de utilização será mais fácil e acessível a qualquer um. Para o conseguir basta fazer o download de uma aplicação de uma carteira no seu website ou em qualquer loja de aplicações. Basta clicar no link Electrum para fazer o download desta carteira com excelentes capacidades e reputação.

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Passo 2 – Escolher o tipo de carteira

Ao iniciar a aplicação pela primeira vez, poderás escolher entre uma carteira standard, uma carteira com autenticação de 2 factores, uma carteira multi-signature – carteiras de assinatura múltipla – ou ainda importar uma carteira já criada.

As carteiras de assinatura múltipla são carteiras que obrigam o utilizador a introduzir 2 ou mais assinaturas para desbloquear os fundos que estão no endereço dessa carteira. Estas carteira podem ser usadas para adicionar um nível suplementar de segurança ou para criar uma “conta conjunta” de Bitcoin. Uma “conta conjunta”, já que os fundos só serão desbloqueados se forem introduzidas as duas chaves. Neste caso, se ficarem pessoas diferentes responsáveis por cada uma das chaves só com autorização conjunta desse grupo de pessoas se poderá desbloquear os fundos. Aumentamos a segurança, guardando as chaves privadas em sítios diferentes, desta forma alguém mal-intencionado teria que ter acesso aos diferentes locais onde estão as diferentes chaves, dificultando-lhe assim a tarefa. Também no caso de uma empresa que tenha a guarda de grandes quantias de criptoactivos se deve aplicar este caso para que esses fundos de terceiros não fiquem nas mãos de apenas uma pessoa.

Podemos tomar como regra que quanto maior a quantia guardada numa carteira maior deverá ser o nível de segurança a que a sujeitamos.

Neste exemplo vamos escolher o tipo de carteira standard. De seguida a aplicação pedir-lhe-à irá indicar a sua nova semente-mestre.

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Passo 3 – Escolher a semente-mestre

A liberdade de não depender de ninguém para aceder aos seus fundos e de saber que não lhe poderão bloquear os mesmos, vem com uma responsabilidade acrescida. No mundo dos criptoactivos não existem intermediários, por isso o utilizador é o único responsável pelo acesso aos fundos do seu endereço de bitcoin. Não existe ninguém a quem o utilizador possa pedir para recuperar a palavra-passe ou forçar o acesso ao seu endereço. Para resolver este problema, foi desenhada uma outra forma de backup: a semente-mestre.

A responsabilidade de manter esta chave é apenas tua e deverás guardar esta sequência de palavras de forma muitíssimo segura. Se as perderes, perderás as bitcoins que guardaste na carteira para sempre.

Uma semente ou chave-mestre é um número gerado aleatoriamente pela carteira aquando da sua criação, de onde se derivam as chaves privadas. A partir dela é possível desenhar chaves para aceder às bitcoins desse endereço. Com o objectivo de tornar esta chave mais facilmente entendida por humanos, esse número é codificado numa sequência de 12 a 24 palavras que formarão então a semente-mestre.

Quando um utilizador cria uma carteira, o software instruí-lo-à para escrever estas 12 palavras na ordem correcta e para que as guarde de forma extremamente segura. Esta sequência passará a ser o último recurso que um utilizador terá para aceder às bitcoins que guardou na sua carteira, mesmo que aconteça alguma coisa ao aparelho onde tem essa carteira. Com a semente-mestre, o utilizador pode aceder à rede Bitcoin para recuperar as suas bitcoins a partir de qualquer ponto de acesso à rede.

É a partir desta semente-mestre que a carteira vai gerar a chave privada e consecutivamente através desta que cria a chave pública. Os mecanismos de encriptação utilizado permite à carteira utilizar a semente-mestre para criar uma chave privada mas não permite fazer o inverso. Da mesma forma, consegue descobrir uma chave pública através da chave privada mas não o contrário. É por isto que é seguro partilhar a chave pública do seu endereço, sem pôr em risco os fundos guardados nesse endereço.

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Passo 4 – Escolher o tipo de endereço

No passo seguinte a aplicação vai pedir-te que escolhas entre um endereço Legacy ou Segwit. Estes endereços correspondem a versões da rede. Os endereços Legacy serão na versão original e poderão ser utilizados com todas os utilizadores da rede Bitcoin. Enquanto que os endereços Segwit correspondem a endereços que são implementados com base no soft-fork Segwit (relembra o que é um soft-fork no artigo anterior) que aumentou a capacidade da rede no número de transacções e na rapidez de confirmação das mesmas. Apesar de poder haver algumas limitações para alguns endereços, é recomendável escolher a opção Segwit de forma a ficar exposto às melhorias criadas por esta actualização no software.

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Passo 5 – Escrever a semente

A aplicação vai então mostrar-lhe as 12 palavras que compõem a tua semente-mestre. Deves escrever e guardá-la num lugar seguro.

Assim, reforço a noção de que no início da utilização da carteira deve escrever esta sequência e guardá-la religiosamente. É dela que dependem as suas bitcoins.

De seguida, vai pedir-te que introduzas a semente, para conseguir criar as tuas chaves.

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Passo 6 – Escolher um código PIN

Para facilitar a utilização da tua carteira, a aplicação irá pedir-te que introduzas um código PIN de cada vez que a iniciar. Neste passo deves escolher e confirmar o código que vais utilizar.

No final destes passos simples terás a tua carteira pronta a receber as suas primeiras bitcoins. Bem-vindo ao mundo dos criptoactivos!

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