Os esquemas em pirâmide são esquemas fraudulentos em que é vendido um ativo sem valor, prometendo um retorno financeiro garantido.
Este tipo de esquema, existe há centenas de anos e são também conhecidos como esquemas de Ponzi. Charles Ponzi, um italiano que viveu entre 1882 e 1949, tornou este tipo de fraude, que já existiam antes dele, famoso e ficou com o seu nome para sempre associado a fraudes financeiras.
Como funciona um esquema em pirâmide?
O conceito é simples: novos investidores pagam os investidores mais antigos. É necessário que exista um fluxo constante de novo dinheiro para manter aqueles que entraram primeiro no negócio satisfeitos antes de a pirâmide se desmoronar. Por exemplo, digamos que, o operador inicial do esquema oferece, garantidamente, um retorno de 20% do investimento inicial. Este retorno aliciante traria alguns investidores iniciais para o esquema – estes seriam o nível 1 da pirâmide. Depois, o operador do esquema encoraja os investidores do nível 1 a angariarem os seus amigos e família para um ativo tão prometedor. Estes tornam-se o nível 2 de investidores e é o dinheiro que eles trazem que alimenta os retornos de 20% que o nível 1 recebe. Como esta primeira fase correu bem, os níveis 1 e 2 vão então aliciar mais investidores. Desta vez, vão ainda mais confiantes, porque já receberam algum dinheiro e parece que o esquema funciona. O nível 3 entra, traz dinheiro fresco e alimenta os níveis 1 e 2. Este sistema é repetido até que deixem de existir novos investidores. O esquema cai por terra quando as pessoas se apercebem que não há valor nenhum a ser criado. Muitas vezes os investidores não se apercebem que estão a enganar os novos investidores, por terem exemplos de que o sistema já funcionou. No final, o operador inicial é que sai a lucrar avultadamente.

Existem esquemas destes há centenas de anos e em todos os mercados, por isso haverá, certamente, alguns que tentam explorar o mundo dos criptoativos. De cada vez que a Bitcoin tem um dos seus crescimentos exponenciais, o mundo é atraído para os criptoativos e surgem meliantes que se tentam aproveitar do desconhecimento geral da população sobre blockchain e criptoativos. Espero conseguir ajudar a mudar isso.
As razões pelas quais podemos excluir o Bitcoin deste lote de fraudes são:
1 – Não há garantia de retorno financeiro
Como vimos, uma das características dos esquemas em pirâmide é a garantia de um retorno financeiro fixo. Ora quando adquirimos alguns bitcoins não temos promessa nenhuma de que iremos receber uma taxa fixa sobre o nosso investimento. No entanto, como bem sabemos, o Bitcoin e muitos outros criptoativos são voláteis – tal como o são todos os ativos listados numa corretora e que estão sujeitos às leis da oferta e procura. Nos mercados de criptoativos, ao contrário de muitas bolsas tradicionais, não existem mecanismos para impedir que o preço desses ativos seja controlado por entidades externas ao mercado. Ainda assim, isso não impede que em tempos excepcionais a volatilidade dos ativos tradicionais batam os recordes de variação da Bitcoin, como vimos acontecer com o petróleo no dia
Há quem acredite no entanto que esta volatilidade da Bitcoin, seja uma característica e não uma falha. Esta volatilidade no preço nos primeiros anos de existência da rede, esteve intimamente ligada ao poder computacional da rede. O ajuste da dificuldade a cada duas semanas e o Halving da rede a cada quatro anos são parâmetros que foram escolhidos por Satoshi. A combinação destes parâmetros fazem com que a quantidade de computação seja ajustada à medida que o preço do Bitcoin sobe ou desce. É também esta volatilidade que atrai muitos investidores e traders na perspectiva de conseguirem bons lucros. E à medida que o mercado cresce e atrai mais investidores fica menos volátil e há mais gente que reconhece o valor do Bitcoin.
2 – Não existe uma autoridade central que esconda factos
Tradicionalmente, os esquemas em pirâmide têm uma autoridade central que esconde factos sobre o ativo para que os investidores comprem sem realmente saberem aquilo em que se estão a meter. O Bitcoin não sofre de nenhum destes males. É uma rede descentralizada e todos os factos são totalmente transparentes e consultáveis.
3 – Não existem informações contraditórias transmitidas por quem controla o ativo
Nos esquema de pirâmide, as entidades que controlam o ativo transmitem informações complexas e muitas vezes contraditórias que têm como objetivo confudir os investidores e “embelezar” os ativos que pretendem vender. De forma geral, podemos assumir que um ativo real e credível será apresentado da forma mais simples possível. É desta forma que a comunidade apresenta a Bitcoin – no site bitcoin.org é apresentada em apenas uma frase.
Apesar de críticas recentes, o Banco Mundial concorda com esta ideia de que o Bitcoin não é um esquema em pirâmide. Segundo um relatório emitido por essa entidade em 2014:
Ao contrário da opinião dominante, o Bitcoin não é um esquema Ponzi deliberado. E há pouco para aprender ao tratá-lo como tal. O principal valor do Bitcoin pode, em retrospectiva, estar nas lições que oferece aos bancos centrais no desenvolvimento de moedas electrónicas e como aumentar a eficiência e reduzir custos de transações.
Kaushik Basu, Economista-Chefe do Banco Mundial, Julho de 2014
No entanto, existem muitos “especialistas” que dizem o contrário. Muitos deles, não conhecem realmente o Bitcoin, como funciona ou porque pode ser importante. Assim sendo, e visto que no espaço cripto queremos tornar-nos livres e responsáveis, devemos fazer sempre a nossa pesquisa sobre tudo aquilo em que estamos interessados em investir o nosso dinheiro. Por cada fraude inventada, existe uma oportunidade real de investimento que pode ser aproveitada.