No artigo da semana passada, falamos de como a inflação retira poder de compra ao dinheiro que guardamos de ano para ano. Este mecanismo foi criado para incentivar as pessoas a gastarem o seu dinheiro, fazer com que o movimento de dinheiro ponha a economia a trabalhar e o estado possa cobrar impostos. No entanto, a inflação leva à diminuição do valor das moedas e, no longo prazo, tem causado o desaparecimento de algumas moedas.
Os ciclos de inflação criam uma pressão mais vísivel sobre as moedas que são vistas como fracas a nível global. Exemplos disso são o bolívar da Venezuela ou o peso da Argentina que continuam a perder valor face ao dólar que é utilizado como referência internacional. Na América do Sul o próximo exemplo desta queda abrupta de valor pode mesmo ser o Real do Brasil. A crise impulsionada pelo Coronavírus pode acelerar um processo devastador para o valor do Real que já estava acontecendo:
- O petróleo – mercadoria do qual o Brasil tem muitas reservas – começa a perder o seu valor em 2008;
- A moeda emitida pelo estado brasileiro, que controlava essas reservas, começa a desvalorizar face a outras moedas fiduciárias;
- O preço dos bens de consumo aumenta para compensar a desvalorização da moeda;
- O estado imprime mais moeda para tentar controlar o nível de poder de compra;
- Isto desvaloriza ainda mais a moeda e o dinheiro que os cidadãos possuem acaba por desvalorizar mais;
- Os produtores sobem os preços para manter os seus negócios lucrativos;
- O ciclo repete-se até à extinção do valor da moeda.

No gráfico acima é bem perceptível a relação entre o valor do petróleo e do Real. Quando o petróleo começou a desvalorizar em 2008 arrastou a moeda brasileira para uma espiral negativa que acelerou a sua desvalorização face a outras moedas mais fortes.
O ano de 2020 tem sido mau para todo o mundo. Para os brasileiros tem sido pior. O Real teve a pior performance de todas as moedas em relação ao dólar americano. O Real perdeu quase 30% do seu valor face à moeda norte-americana desde o ínicio do ano.
Se nos países com moedas fortes como o dólar americano ou o euro ainda não sentimos grandes influências, moedas como o real brasileiro já foram muito afectadas por esta desvalorização que aumentou drasticamente nos últimos meses. Uma prova disso são as notícias que dão conta do aumento do preço de bens essenciais como o arroz e o feijão. Este é um sinal de que o processo está em andamento.
Países como a Venezuela, Argentina ou o Líbano, já sentiram as consequências da destruição do valor da sua moeda. As suas economias foram arrasadas e as dificuldades para as populações aumentaram e hoje significam que muitos passam fome. Os governos destes países tomam medidas para tentar travar a desvalorização da moeda que controlam e evitar que outras fontes de riqueza saiam do país. Por exemplo, na Argentina e no Líbano, os governos declararam que as contas bancárias que estivessem em dólares americanos fossem transformadas na moeda local. Isto acentua as dificuldades daqueles que viram as suas famílias emigrar e lhes enviam uma parte dos seus rendimentos. As famílias vêem o seu dinheiro transformado numa moeda que continua a perder valor e a sua capacidade de comprar comida ou pagar a renda diminui. Os governos, numa tentativa desesperada de manter o valor da sua moeda face às moedas internacionais, acumulam valor noutros bens e moedas roubando a população das ferramentas que têm para combater a pobreza. Esta sucessão de eventos cria um ciclo que reforça a queda da economia local e aumenta a inflação da moeda. O descontentamento entre a população aumenta e começam a surgir manifestações como aquelas a que assistimos este ano no Libano em que se atearam fogos a repartições de bancos e que culminaram com um incêndio no banco central. As pessoas expressaram claramente quem pensavam ser os causadores do seu sofrimento.
O Brasil vai ser o próximo!
O Real está numa fase de desvalorização acelerada e a pandemia veio acentuar as dificuldades do sistema actual. As moedas mais frágeis serão as que cairão mais e, com isso, as pessoas que usam essas moedas sofrerão ainda mais. E os que não tiverem bens serão os mais afectados.
Como tudo nos mercados funciona relativamente à oferta e procura, os bens escassos valorizam face a moedas que aumentam a oferta indefinidamente. Por isso, a escassez é uma característica essencial para que algo se considere valioso. Durante a pandemia, vimos as fortunas de vários milionários crescer enquanto muitos dos trabalhadores das suas empresas ficavam desempregados. Isto aconteceu porque essas fortunas estão associadas a bens que por serem escassos foram valorizados com a impressão de mais dinheiro. No entanto, existe uma alternativa escassa que qualquer um pode comprar e controlar. A Bitcoin!
A escassez do Bitcoin pode ser verificado no código e não há nada que uma entidade centralizada possa fazer para aumentar a quantidade de bitcoins que existirão. Essa quantidade nunca será maior que 21 milhões. O euro e o dólar estão também a ser desvalorizados e ainda que não se sintam efeitos imediatos, essa quebra de valor pode levar às mesmas terríveis consequências que já vimos acontecer noutros países. Esta é mais uma razão pela qual a Bitcoin é o melhor sítio para protegeres o valor que conquistas com o esforço do teu trabalho.
Enquanto essas moedas perdem valor, a Bitcoin continua a crescer. Compra Bitcoin!