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Bitcoin Porquê?

Bitcoin como Solução para um Planeta Mais Verde

Nos últimos meses, têm surgido muitas críticas em relação ao custo ambiental da rede Bitcoin. Está a ser o FUD (crítica) dominante deste ciclo. Na última semana, Elon Musk juntou-se a este coro anunciando que a Tesla ia voltar atrás na sua decisão de aceitar bitcoin como pagamento, devido ao elevado custo de energia por transação.

As críticas ecológicas estão mais relacionadas com a falha em perceber o valor da Bitcoin do que propriamente com o seu consumo de energia. Esses críticos não apontam o dedo aos gastos energéticos com frigoríficos, televisões ou computadores porque acreditam que se obtém um valor superior ao valor da energia consumida com esses aparelhos. O consumo de energia está quase sempre associado à evolução tecnológica. Da mesma forma, essas pessoas não teriam problemas com o gasto energético da rede Bitcoin se percebessem e acreditassem no problema que este avanço tecnológico pretende resolver. De facto, se compararmos o consumo de energia da rede Bitcoin com o sistema bancário atual é fácil perceber a melhoria ao nível do consumo de energia.

Fonte: https://ark-invest.com/articles/analyst-research/bitcoin-myths/

Ainda assim, vamos perceber se realmente os críticos têm razão quando dizem que a rede Bitcoin pode ser a “causa única do aquecimento global em 2ºC“.

Consumo de Energia vs Emissões de Carbono

É um facto inquestionável que a rede Bitcoin usa uma grande quantidade de energia. Gasta mais do que alguns países, mas isso por si só não significa grande coisa. Só os EUA gastam mais nas luzes de Natal do que alguns países durante um ano inteiro e não queremos acabar com as luzes de Natal.

No entanto, o gasto energético não se traduz directamente em emissões de carbono nocivas para o ambiente. É necessário ter em conta a origem da energia consumida. Assumindo o pior (e irrealista) dos casos, em que toda a energia utilizada pela Bitcoin tem origem em carvão, esta rede seria responsável por 0,17% das emissões de carbono mundiais. Vários estudos indicam que o consumo de energia renovável pela rede varia entre os 39% e os 73%, o que faz baixar em muito a quantidade de carbono emitida.

Uso de energia excedente

A energia não é facilmente transportável. Existem perdas muito grandes no transporte de energia que tornam o processo pouco eficiente. Por isso, existem locais no mundo que produzem energia que não conseguem gastar. Na China rural, existem centrais hidroeléctricas que são forçadas a desperdiçar energia por não a conseguirem utilizar. A Islândia tem muitas fontes de energia geotérmica que não consegue aproveitar nem exportar. Como a mineração de Bitcoin, não está limitada pela localização geográfica – precisa apenas de uma ligação à internet – as centrais naqueles locais encontram nesse processo uma alternativa para a energia excedente.

Reduzir emissões na extração de petróleo

Na extração do petróleo, ocorre a queima ou simplesmente a libertação de gás natural que lança grandes quantidades de metano para a atmosfera. Este gás é 20 vezes mais eficaz que o dióxido de carbono a reter radiação que aumenta o efeito de estufa. O desperdício acontece porque não havia procura para o uso desta energia. Através da mineração de Bitcoin, a energia pode ser usada para criar um ativo sobre o qual as empresas podem ter retorno. Com este incentivo, conseguem aproveitar a energia e reduzir emissões ao queimar o gás de forma mais controlada. É expectável que a procura de petróleo diminua com o passar do tempo, até lá a Bitcoin será uma alternativa para reduzir as emissões causadas pela sua extração e alcançar as metas definidas pelo Acordo de Paris.

Transformar desperdício em produtividade

A mineração Bitcoin é um processo altamente competitivo. Esta competição faz com que os intervenientes procurem constantemente a forma mais rentável de conseguir alcançar as recompensas a que têm direito. Sendo um processo sedento de energia, um dos fatores determinantes é a busca pela energia mais barata. A melhor maneira de o conseguir é direcionar energia que era vista como desperdício para uma rede que está pronta para a receber 24 horas por dia. É por isso, que na China, na Islândia, na América do Norte ou na Sibéria existem grandes centros de mineração de Bitcoin. Utilizam excendentes de energias renováveis ou processos de extração que permitem melhorar a produtividade daquelas empresas e diminuem a pegada ecológica da rede Bitcoin.

Bitcoin – solução para um planeta mais ecológico?

Imaginemos um indivíduo que tenha um painel solar a produzir energia para alimentar a sua casa. O custo de instalação do sistema é relativamente alto e, por isso, demora-se alguns anos a recuperar o investimento. Este sistema só pode ser usado enquanto a casa estiver habitada ou, na melhor das hipóteses, até encher uma bateria. A mineração de Bitcoin é uma solução para o excesso de energia produzida pelos painéis solares. Ao usar essa energia para minerar Bitcoin, o indivíduo consegue ter um retorno sobre energia que seria desperdiçada.

Mais energia eólica e solar

Um estudo publicado pelas empresas Square e ARK Invest, explora esta ideia a nível industrial e mostra como a mineração de Bitcoin pode ajudar a tornar mais rentável as energias solar e eólica. Estes dois tipos de energia sofrem de um problema comum: a instabilidade na sua produção. Produzem muita energia quando a procura é baixa, e de forma insuficiente quando a procura é alta. A solução proposta é criar um ecossistema de produção, armazenamento e mineração de Bitcoin. Nesta visão, os mineradores de Bitcoin serão os compradores de último recurso para a energia que, de outra forma, seria desperdiçada, aumentando a rentabilidade de projectos de energia limpa. Ao aumentar a rentabilidade destas energias, aumentar-se-ia também o investimento nelas e a sociedade passaria a consumir uma maior percentagem de energia limpa.

De notar que o mesmo Elon Musk que agora se diz contra a Bitcoin por ser má para o ambiente, há menos de um mês concordava com esta ideia que a tecnologia pode incentivar à produção de energia limpa.

Apesar de ser verdade que a Bitcoin gasta energia, a rede não tem uma pegada ecológica tão grande como se tem feito parecer nos media tradicionais. Pelo contrário, a Bitcoin cria até incentivos para aumentar a produção de energia limpa. Tal como outras indústrias e tecnologias, o problema do consumo de energia é mais de ordem utilitária – perceber se vale a pena gastar energia e outros recursos para este fim. Os milhões de pessoas que a usam para fugir a repressões monetárias, inflação ou controlos de capital não hesitarão em responder sim.

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