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Satoshi Nakamoto – o criador desaparecido

O criador da blockchain nunca se revelou.

Na verdade, ainda hoje não sabemos se, quem inventou a blockchain e criou a Bitcoin, foi um homem, uma mulher, um grupo de pessoas ou outra coisa qualquer. Apesar de Satoshi Nakamoto se ter apresentado como um homem japonês de 37 anos num perfil da Peer-to-Peer Foundation, nunca se conseguiu confirmar esta informação. A fundação dedicada a instigar dinâmicas directas entre pares – entre pessoas – portanto um sítio mais do que adequado para divulgar uma tecnologia como a Bitcoin, já que uma das suas grandes bandeiras é eliminar intermediários.

Várias tentativas e formas foram usadas para descobrir a sua real identidade. Há quem indique o seu inglês polido como prova de que seria um britânico, quem se guie pelas horas a que foram feitas as suas publicações para indicar a costa este do Estados Unidos da América, e outros ainda que sugerem a América do Sul. Também têm aparecido ao longo dos anos vários falsos Satoshi, desejando tomar o lugar de alguém tão brilhante e reclamar os seus 15 minutos de fama.

Hoje em dia existem “provas” da origem de Satoshi em cinco diferentes continentes. Esta multitude de reivindicações da sua origem, vistas de outra perspectiva, podem ser olhadas como indícios para assumirmos a hipótese mais provável de esta identidade ser, na verdade, um grupo de pessoas.

Satoshi demonstrou mestria em áreas tão diferentes do conhecimento como criptografia, informática, economia e psicologia além de uma excelente capacidade de comunicação, pelo que é plausível assumir que seria um grupo de brilhantes indivíduos que se uniram para criar uma tecnologia que pode transformar o mundo – um projecto Manhattan menos bélico.

Segundo estimativas históricas, no final de 2006 terá sido esboçado o conceito da Bitcoin e o código começou a ser escrito em Maio de 2007. Nesse período, começava a surgir um clima de suspeita sobre o mercado imobiliário norte-americano que muitos deixaram passar em claro, cegos pela sua ganância.

Terá sido este o factor motivador para o desenvolvimento da ideia, o que demonstra que Satoshi estava também ciente do estado decrépito a que estava a chegar o mercado imobiliário norte-americano e apressou-se a criar uma solução.

A sua criação seria uma ferramenta capaz de incutir transparência aos complexos e opacos activos responsáveis pela dramática crise económica de 2008.

Através da blockchain seria possível identificar cada uma das hipotecas incluída nos activos que foram vendidos em “pacote” pelo sistema financeiro e identificar o risco individual de cada uma sem ter que acreditar nos ratings atribuídos por uma agência cuja imparcialidade é, por vezes, questionável.

Em Outubro de 2008, cerca de dois anos depois do primeiro esboço da ideia, era publicado o white paper – documento técnico – onde propunha as bases para a blockchain e a criava a Bitcoin. Nesse documento falava explicitamente em como a Bitcoin seria uma alternativa ao sistema financeiro tradicional sem a necessidade de se confiar em intermediários e na sua moral. Bitcoin foi a revolta de Satoshi.

Por esta altura já todo o código estava escrito. Numa tradução das suas próprias palavras: “Tive que escrever todo o código antes de me convencer que conseguia resolver todos os problemas, só depois escrevi o paper.” Satoshi esteve activo em vários sites entre Novembro 2008 e Dezembro de 2010. Caso esteja interessado em pesquisar a fundo aquilo que ele escreveu, todas as suas aparições estão registadas em satoshinakamoto.me

Depois de 2010, Satoshi desapareceu para sempre. Há quem acredite que foi para o bem da Bitcoin. Sendo a Bitcoin uma moeda descentralizada, a figura de Satoshi ficava como um único ponto de falha singular que podia pôr em causa o desenvolvimento da Bitcoin.

O seu desaparecimento era a peça que faltava para tornar a Bitcoin totalmente descentralizada.

Por outro lado, a criação de uma tecnologia tão poderosa e com potencial para causar sérias repercussões no sistema financeiro tradicional, poderia despertar a fúria das forças instaladas abalando-lhes o poder. O controlo que têm sobre os milhares de milhões de euros, dólares, libras e todas as outras moedas que circulam pelos mercados financeiros seria perturbado e por isso o seu desaparecimento pode ter sido uma forma de se escudar das possíveis represálias de que poderia tornar-se alvo, quando essas forças percebessem e dessem a atenção merecida à sua tecnologia.

O que é certo é que Satoshi Nakamoto deixou um legado que irá perdurar. Desde que publicou o documento onde descreveu as bases da Bitcoin, a sua criação cresceu e multiplicou-se em mais de 2000 criptoactivos que hoje inundam o mercado. Todos eles beberam inspiração desse documento e alguns conseguiram aumentar as potencialidades do seu trabalho, permitindo que a blockchain crescesse para lá das finanças e possa agora atingir áreas tão diversas como a saúde ou as redes sociais.

É importante reforçar que a faísca que desencadeou o seu trabalho foi a visão crítica sobre o corrupto sistema financeiro. Satoshi fez questão de deixar na raiz da blockchain que criou uma marca indelével que não nos permitisse esquecer as dores que o sistema financeiro tradicional infligiu à sociedade devido à sua ganância e corrupção que não são controlados por ninguém.

Ao criar a Bitcoin, Satoshi estava a oferecer ao mundo um sistema financeiro alternativo em que cada um é responsável por aquilo que possui e não precisa de confiar em intermediários para fazer transacções, poupando as elevadas comissões cobradas. Essa alternativa permite também um escrutínio público para impedir que intervenientes mal-intencionados possam dissimular activos tóxicos e os vendam como activos de alta rentabilidade. E ainda, dando-lhe um carácter imutável permite que quem quer que o tente fique registado e tenha que sofrer as consequências das suas acções.

Com o seu desaparecimento, Satoshi Nakamoto deixou um legado que já está a transformar o mundo e um mistério que ainda temos que resolver.

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