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Porquê?

Liberdade através da Privacidade

Em Portugal, os cravos são símbolos da Liberdade, por terem sido usados na Revolução do 25 de Abril. Por isso, essa flor está na imagem acima.

 

Vivemos tempos difíceis. O medo e a incerteza rodeiam-nos e confinaram-nos às nossas casas. Em nome da nossa segurança as nossas liberdades são reduzidas. Isso parece-nos razoável e, por isso, aceitamos. Mas aceitámos durante um tempo excepcional e em nome de um bem comum e maior – a vida humana. No entanto, devemos ter cuidado com o que se segue a esta quarentena temporária.

Eventos marcantes tendem a alterar a forma como agimos. Isto acontece a nível pessoal mas também como sociedade. O exemplo mais marcante serão os ataques terroristas do 11 de Setembro. Depois daquele dia, passámos a aceitar invasões de privacidade em nome da segurança perante a sombra de uma ameaça sempre presente. As medidas implementadas naquela altura, com mais ou menos rigor, nunca foram levantadas e passaram a ser norma. Muitas delas alargadas, dos aeroportos para outros locais públicos.

Já existia a ameaça de um vírus altamente transmissível. Já tinham existido avisos, como o Ébola. Já tinha atingido alguns países. Agora atingiu-nos, violenta e directamente, na nossa bolha de segurança, que é o mundo ocidental. E, com isso, tornou-se bem real. O horror dos números atinge-nos diariamente através das notícias, venham elas através da televisão, jornais ou Internet.

Chegam também notícias, de alguns governos que estão a implementar medidas para ajudar a controlar o vírus, identificar possíveis portadores do vírus e, assim, isolá-los. Sempre em nome da segurança dos outros cidadãos.

O caso mais badalado será o da China. Naquele país já eram utilizadas câmaras com reconhecimento facial ou seguindo os smartphones de cada cidadão para que o governo monitorize detalhadamente a localização das pessoas. Actualmente, os chineses são obrigados a apresentar um código QR verde, que indica estarem saudáveis, para entrarem no metro, no hotel ou mesmo na cidade de Wuhan – onde foram detectados os primeiros caso da pandemia.

Mas não é só no Oriente que estão a ser usadas estas medidas excepcionais. Em Israel, por exemplo, é utilizada tecnologia, normalmente reservada para suspeitos de terrorismo, para identificar suspeitos de infecção. De notar que, este foi um “decreto de emergência” assinado directamente pelo primeiro-ministro Netanyahu de forma autoritária, quando a proposta chumbou no parlamento.

Em vários países europeus, democracias frágeis vêem-se ainda mais abaladas com os seus líderes clamando para si próprios poderes especiais para poderem controlar a pandemia.

“Nada é tão permanente como um plano temporário do governo.”

Milton Friedman
Prémio Nobel da Economia

Os tempos conturbados devem durar por uns longos meses. Até que tenhamos uma solução definitiva para o problema, as medidas excepcionais terão apoiantes e motivos aparentemente válidos para se manter. No entanto, devemos exigir que elas não violem as nossas liberdades individuais além do estritamente necessário.

Devemos estar alertas para o que se segue, e de que forma vamos voltar a conviver uns com os outros. Tal como sugere o professor Yuval Noah Harari, podemos entregar às pessoas as ferramentas que podem servir para as controlar. Dando-lhes assim o poder e a, consequente, responsabilidade de serem livres. Os aparelhos que recolhem dados sobre o que vemos, o que lemos e onde estamos começam a ler dados biométricos – temperatura corporal, pressão arterial ou ritmo cardíaco. E esta informação pode ajudar-nos nas medidas que temos que tomar para prevenir contágios.

A informação é uma arma poderosa. Mas, tal como todas as armas, pode ser usada para o bem ou para o mal. Podemos escolher entre os relógios que salvam os seus donos de um ataque cardíaco iminente ou as aplicações que nos impedem de viajar.

O simples acto de lavar as mãos foi um dos maiores avanços na higiene das sociedades. Tornar este num acto generalizado incluiu explicar às pessoas o porquê de um simples acto ser tão poderoso na diminuição da propagação de doenças, vírus e germes. Pôr a informação ao alcance das pessoas e ensina-las a interpretar esses dados é uma forma poderosa de melhorarmos a qualidade de vida de todos, sem abdicarmos das nossas liberdades. Cada um lutando pelo seu bem, e consequentemente, da comunidade em que vive.

Criámos aparelhos que obtêm dados e informações das pessoas. A parte mais difícil será ensinar as pessoas a saber como agir perante esses dados. Mas, para manter a liberdade de cada um, devemos manter a sua privacidade.

A melhor cortina que temos para separar os dados das pessoas é a privacidade.

A privacidade é a barreira que permite que façamos o que desejamos sem termos que pensar nas possíveis retaliações que podem vir daí. Sejam elas sociais, profissionais ou comunitárias. Se a privacidade for assegurada deixamos toda a gente mais à vontade para lutar pelos seus pontos de vista e falar livremente.

O espaço dos criptoativos nasceu das ideias de privacidade e anonimato que um grupo de visionários defendia. Ideias que seriam postas em causa num mundo digital em que todos os dados são registados. Esse mundo digital, tornou-se realidade e todos os passos que damos são registados nos servidores de empresas ou governos.

Tudo aquilo que fazemos na Internet fica registado para sempre. Esta característica pode condicionar os comportamentos das pessoas. Se formos presos por criticar o governo poderemos não o fazer. Ou, mesmo numa sociedade livre, se formos criticados por se saber que comprámos um brinquedo sexual poderemos não o fazer.

Os criptoativos permitem manter a privacidade neste mundo digital – separando as pessoas daquilo que lêem, daquilo que compram ou mesmo daquilo que votam. Através deles podemos mascarar os dados pessoais para os tornar privados. Os criptoativos são uma ferramenta poderosa na nova luta pela privacidade.

Precisamos da privacidade para sermos livres.

Foi, ainda nos anos ’90, que surgiram as primeiras ideias para criar formas de dinheiro digital privadas. A maior parte teve a sua génese num grupo que se auto-intitulou Cypherpunks – um trocadilho com cyberpunks, para incluir ‘cypher’ (cifras). Muito antes da maior parte da população ter ouvido falar da Internet ou sequer ter computadores nas suas casas, antes de Edward Snowden ou da Cambridge Analytica, este grupo de sonhadores pensavam sobre como manter privado esse futuro mundo digital. Nos próximos artigos vamos aprender sobre eles.

2 replies on “Liberdade através da Privacidade”

Boas André! Vendo o teu conteudo acho que te devias juntar a comunidade de cripto Portuguesa no Telegram, já vamos em 640 membros, apesar de só aparecerem no Telegram cerca de 50, muitos desapareceram durante o Bear Market…

Temos todo o tipo de pessoas no grupo, desde maximalistas da Bitcoin, maximalista de ETH, traders, especialistas de DeFi, malta das empresas portuguesas que lidam com critpo como por exemplo, utrust, cypherpunks, investidores de todos os tipos e feitios.

https://t.me/CriptoPT

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