Inflação refere-se a um aumento generalizado dos preços dos bens e serviços e não apenas de um bem específico. Ou seja, com o mesmo dinheiro consegue-se adquirir menos bens e serviços. Nas palavras do Banco Central Europeu: “um euro vale menos do que anteriormente“.
Efeitos da Inflação
Os efeitos da inflação dependem principalmente da velocidade a que esta ocorre. A maior parte dos economistas perto do poder acreditam que é resultado da prosperidade e crescimento da economia. E, por isso, a política monetária e grande parte dos incentivos fiscais estão construídos com base numa inflação moderada (normalmente entre os 2% e os 3%).
No entanto, este aumento contínuo dos preços pode causar efeitos devastadores nessa mesma economia. Existem vários exemplos ao longo da história de como o aumento gradual se torna num aumento exponencial. As consequências são catastróficas para a economia que o sofre. A hiperinflação, como é conhecida esta subida abrupta, foi uma das principais causas para fenómenos históricos como a Queda do Império Romano ou a Segunda Guerra Mundial.
A Queda do Império Romano foi causada pela Inflação
Um dos exemplos mais antigos é a Decadência do Império Romano. Enquanto existiam terras e riquezas para conquistar, Roma oferecia aos seus cidadãos um estilo de vida luxuoso. Quando a expansão abrandou e começaram a diminuir as receitas do império surgiu a necessidade de criar novas fontes de riqueza. As pressões crescentes levaram a que vários imperadores romanos diminuissem a quantidade de ouro e prata nas suas moedas. Criando, assim, uma real desvalorização da moeda. Esta medida permitiria reduzir o salário real dos trabalhadores, reduzir o encargo do governo para subsidíos e aumentar a quantia de dinheiro para financiar outras despesas do governo. Apesar dos alívios temporários, foi iniciado um ciclo destrutivo de descontentamento popular, desvalorização de moeda e aumento de preços. Estes efeitos seguiram-se uns aos outros de forma regular com sucessivas crises económicas que os imperadores tentavam aliviar com mais desvalorização da moeda em circulação. Ao fim de algumas décadas, o Império Romano ficou devastado. O aumento de impostos e controlo de preços tornaram impossível viver nas cidades e os cidadãos dispersaram para pedaços de terra vazios e dispersos pelo império onde conseguiam subsistir da terra e sem pagar impostos exorbitantes. Foram estes habitantes de grandes cidades como Roma que se tornaram nos súbditos dos senhores feudais que tomaram conta da Europa nos séculos seguintes.
Inflação na História
Também a Alemanha, no período da Républica de Weimar, sofreu hiperinflação que ajudou a criar um clima de descontentamento que culminou com a eleição de Adolf Hitler. Entre os anos 1921 e 1923, a inflação na Alemanha disparou e chegou aos 20,3% por dia! Já neste século, a Venezuela, a Argentina ou o Líbano sofreram taxas de inflação elevadas que criaram problemas às suas economias. A história está cheia de exemplos de países prósperos que sucumbem à desvalorização da sua moeda.
Na Argentina ou Líbano o processo de desvalorização do dinheiro é claro, mas, também na União Europeia e nos Estados Unidos este está em marcha. Desde que os países deixaram de valorizar as suas moedas em relação ao ouro que estas estão a desvalorizar face a essa reserva de valor por causa da impressão contínua de dinheiro.
UE aumenta Euro em circulação mais de 12%
O Coronavírus despoletou uma crise que veio acentuar a inflação. Os mecanismos de subsidiação que os bancos centrais criaram são financiados pela impressão de dinheiro que aumenta a quantidade de moeda em circulação e por consequência reduz o poder de compra dessa moeda. Na União Europeia, serão distríbuidos 1,82 bilhões de euros nos diversos esforços para ajudar governos, empresas e pessoas e minorar o impacto desta crise. No entanto, isto representa um aumento de mais de 12% do dinheiro em circulação. Isto não significa directamente que a inflação seja do mesmo nível. No entanto, fica claro que o processo de desvalorização do teu dinheiro já está a acontecer.
Só no longo prazo poderemos ter noção do impacto real destas medidas, mas é certo que o poder de compra dos euros que tens na carteira vai continuar a diminuir. Por isso, deves tomar medidas para proteger o teu dinheiro num horizonte mais alargado.
Uma das formas mais recomendadas para protegeres o teu dinheiro é investi-lo. Existem muitas formas de o fazer. Uma das mais comuns e acessíveis é a bolsa de valores. Historicamente, as bolsas são bons veículos de proteção do dinheiro face à inflação para manter o poder de compra do investidor. Os investidores com mais experiência recomendam investir em indíces que aglomeram um grande número de empresas que representam a economia dos EUA ou mesmo mundial para reduzir o risco dos investimentos. Ao longo dos anos, alguns destes instrumentos financeiros têm prestado um bom serviço àqueles que neles investiram com ganhos anuais de cerca de 10%.
No entanto, nos últimos 20 anos existiram várias recessões económicas. Para as combater, os bancos centrais de todo o mundo usam a arma que melhor conhecem: a impressão de dinheiro. O aumento da oferta de moeda cria uma “valorização artificial” dos bens mais escassos – ações, índices, imobiliário. Ou seja, apesar de se registar um aumento no preço de índices face a dólares, esse aumento não existe quando comparado com uma reserva de valor, como o ouro. Desde o virar do século, se medirmos a valorização do S&P500 – o índice que engloba as 500 maiores empresas dos EUA – face ao ouro, vemos que afinal até tem diminuído. Na verdade, é o dólar que está a desvalorizar e, por isso, a cotação das empresas aumenta face a essa unidade. Precisamos de mais dólares para comprar o mesmo bem.

Mesmo que se compare com dados históricos, desde 1928, o valor deste índice passou de 23,53g de ouro para 50,46g de ouro. Um crescimento de 214% que é bem mais modesto que os mais de 23 000% face ao dólar. A grande valorização do S&P500 em dólares é resultado da inflação.
One reply on “Inflação é Roubo!”
[…] Como vimos anteriormente, o Império Romano tinha uma moeda em ouro que era aceite em toda a Europa sob o domínio de Roma. O declínio do império começou quando deixaram de haver terras para conquistar e os imperadores desvalorizaram a moeda em circulação para tentar manter o estilo de vida luxuoso que mantinham os cidadãos-livres nas grandes metrópoles. Depois de vários ciclos de desvalorização da moeda e consequentes crises económicas o Império acabou por ruir. As pessoas que viviam nas grandes cidades romanas fugiram para os campos para não pagarem impostos exorbitantes. O ouro ficou centralizado nas mãos de alguns senhores feudais e a Europa caiu sob o manto da Idade das Trevas durante os séculos seguintes. […]
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