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O Melhor Dinheiro é Digital

Este artigo faz parte de uma série onde estudamos o livro “O Padrão Bitcoin” por Saifedean Ammous. É, por isso, amplamente baseado nessa obra e nas suas ideias.

Podemos dividir todos os pagamentos que fazemos em apenas dois tipos: pagamentos em monetário e pagamentos intermediados.

  • Pagamentos em monetário são finais e, tradicionalmente, feitos frente-a-frente entre as duas pessoas
  • Os pagamentos intermediados exigem, por definição, a intervenção de um terceiro. Ao incluir um terceiro estes pagamentos perdem soberania, liquidez e fungibilidade (deixa de ser idêntico a outros pagamentos).

Um Dinheiro para o Mundo Digital

À medida que o mundo se foi tornando mais digital, começou a surgir a necessidade de fazer pagamentos também digitais. Estes pagamentos eram, até ao aparecimento, de ligações peer-to-peer, intermediados – não havia a capacidade de fazer o pagamento directamente entre duas pessoas de forma digital.

O Bitcoin é a tecnologia que soluciona este problema – um pagamento digital sem intermediários. Consegue assim tornar os pagamentos em monetário “digitais”. Isto porque traz para a vertente digital a finalidade e a ligação directa dos pagamentos em monetário. Com o bónus de ter uma política monetária que não pode ser manipulada para dar vantagem àqueles que estão mais perto do poder.

Satoshi Nakamoto conseguiu alcançar este feito utilizando algumas tecnologias muito importantes, ainda que pouco entendidas:

  • rede distribuída peer-to-peer – um sistema de computadores em que não existe depedência de um servidor central e todos os nós têm o mesmo nível de autorização.
  • hashing – algoritmo que transforma um conjunto de dados de qualquer tamanho num tamanho predefinido.
  • assinaturas digitais – forma de autenticação de informação digital que utiliza um conjunto chave-privada/chave-pública.
  • prova de trabalho – protocolo utilizado para criar uma prova em que o utilizador teve que gastar tempo e poder de computação e lhe dá acesso a realizar alguma acção. A produção dessa prova deverá ser muito trabalhosa na criação e muito fácil de verificar.

Podemos dizer que a característica central do Bitcoin é a verificação, e só por causa dela a Bitcoin elimina a necessidade de confiança em terceiros. Cada transação tem que ser gravada por todos os membros da rede para que o registo esteja sincronizado. Estes membros só vão registar a transação depois de verificarem que o emissário da transação tem saldo suficiente para a pagar.

Mineração

O processo pelo qual são criadas bitcoins chama-se mineração. É um processo altamente competitivo em que os mineradores utilizam computadores para resolver problemas matemáticos. O primeiro a encontrar a solução para esse problema tem direito a uma recompensa pelo trabalho que ofereceu à rede. Essa recompensa vem escondida na publicação do próximo bloco na cadeia – para formar uma cadeia de blocos (blockchain) – ao adicionar um bloco, o minerador tem o direito de criar um número predefinido de moedas e ficar com elas.

A solução ao problema matemático é a prova de trabalho. É através dela que todos os outros nós da rede distribuída e peer-to-peer vão verificar que é uma solução válida. E todas as transacções, assinadas pelas chaves privadas e endereçadas às chaves públicas, que serão inseridas nesse bloco estão condensadas numa hash no cabeçalho do bloco para fácil verificação. A mineração é o algoritmo que junta todas as tecnologias que fazem o Bitcoin funcionar. Mas existe um pormenor que é fundamental para garantir a força do Bitcoin.

Ajuste da Dificuldade

Talvez o aspecto mais importante do funcionamento do Bitcoin seja o ajuste da dificuldade de mineração. Este processo controla a produção de novos blocos para garantir que é produzido um bloco a cada 10 minutos. Garantindo os 10 minutos por bloco, consegue-se manter o plano de emissão de moedas e assegurar que não são criados mais bitcoins do que aqueles que estão definidos no protocolo desde o ínicio.

Este aspecto é fundamental e diferencia o Bitcoin de todos os outros ativos e de todas as outras formas de dinheiro. Nesses o aumento do preço torna rentável a exploração em locais onde antes não o era. À medida que o preço sobe, os investidores e o avanço da tecnologia podem criar novas fontes para esse ativo ou forma de dinheiro. Mesmo no caso do ouro, à medida que a humanidade vai explorando e retirando ouro do solo, tem conseguindo manter uma emissão relativamente estável de 2% ao ano. A valorização do ouro nos mercados torna rentável a exploração de minas que antes não o eram.

Pelo contrário, o Bitcoin tem um plano de emissão bem definido, imutável e deflacionário. O número de moedas emitidas vai diminuindo ao longo do tempo e não há nada que os mineradores sozinhos possam fazer para o alterar e tentar criar uma quantidade maior daquela que está definida.

Este algoritmo dá ao Bitcoin uma característica que o torna superior a todos os outros: escassez absoluta. Outros ativos são relativamente escassos mas para nenhum deles sabemos a quantidade finita que existe ou poderá existir. Apenas para o Bitcoin, sabemos que existe uma quantidade finita pois é uma regra escrita no código. A escassez, por sua vez, torna o Bitcoin extremamente líquido no tempo – como não pode ser desvalorizado pela emissão deverá ganhar poder de compra ao longo do tempo. O Bitcoin vai assim criando histórico como reserva de valor.

Sem intervenientes

O Bitcoin respeita apenas o algoritmo e as regras de consenso a que toda a comunidade aderiu. Elimina assim políticos, macroeconomistas, ditadores e outros tradicionais intervenientes da política monetária. O dinheiro passa a ser de quem o tem e os poderes instalados deixam de conseguir controlar o valor do dinheiro dos seus cidadãos.

Os cidadãos que lhe foram reconhecendo valor ao longo do tempo e começaram a acumular Bitcoin, primeiro como um coleccionável com valor em pequenas comunidades. A valorização desses itens ao longo do tempo prova que pode ser uma boa reserva de valor e começa a expandir o seu alcance fora dessas comunidades. O crescimento da adopção faz com que mais pessoas comecem a aceitá-lo como meio de troca – passa assim a cumprir outra função do dinheiro. Este processo é demorado por ser um ativo completamente novo e as pessoas não o compreenderem bem. Apesar disso, aqueles que arriscarem mais cedo serão melhor recompensados e verão o valor do seu dinheiro multiplicar mais vezes.

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